quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Ato 2 - Dificuldades

No começo tudo é louco. Sua rotina muda completamente, nada, nada mais é como antes. Você não consegue sequer lavar o cabelo. Eu mesma já fiquei uns 4 dias sem lavar, com aquela cara de comida de boi cuspida. Você começa a pagar micos que nunca imaginou pagar: canta musiquinhas sem sentido o tempo todo, fala com voz de desenho animado, tem que trocar fralda, roupa toda suja de cocô em pleno restaurante japonês. Mas tudo vale muito a pena.
Hoje mesmo me pego com uma tendinite brava, fruto de muitos colinhos pra ninar. Me pego com o sono atrasado, o corpo cansado como se tivesse sido atropelada por um caminhão. As unhas não são mais como antigamente. Têm que ser curtas, e vc só tem o privilégio de mantê-las com esmalte se tiver uma babá ou quem lave as roupas do seu rebento. Os programas de TV preferidos são assistidos pela metade, e os filmes quase nunca fazem sentido, já que se perde um pouquinho do começo, um pedaço do meio e dez minutos do final.
Ás vezes vem uma sensação perturbadora: - acabou a minha paz. Nunca mais vou conseguir dormir como antigamente, nunca mais poderei sair à noite, lavar o cabelo bem demoradamente, assistir um filme inteiro, fazer longas caminhadas na praia, rolar no chão com meus cachorros.
Mas aí você olha para o seu bebê. E ele abre aquele sorriso de matar. Aquele sorriso cheio de esperança, doce como o melhor chocolate do mundo. E faz aquela cara de ´´ eu te amo``. Dá para resistir? Não. E você esquece todos os percalços de ser mãe.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Ato 1 - Putz, e agora?

Era um dia comum, a mesma coisa de sempre: terapia e trabalho em seguida. No caminho da terapia, lembrei: - Acho que vou comprar um teste de gravidez. Faço e acabo logo com isso! E acabei! De começar uma nova vida, um turbilhão de mudanças efetivas e permanentes.
Dois risquinhos vermelhos. Positivo. O que? Eu tô grávida? E agora? Primeira reação: tremer da cabeça aos pés. E pensar: não é possível! Segunda reação: ligar pro meu marido. O homem ficou mudo no telefone. Embasbacado. E eu tremia. Terceira reação: fazer outro teste. Pedi pro meu funcionário (eu tava trabalhando quando fiz o teste) ir comprar outro. Coitado do menino, 15 anos, nunca viu um teste de gravidez na vida. Mas lá vem o Lucas com o segundo teste. Vou ao banheiro, xixi e ...mais dois risquinhos. Só pode estar certo. Mais tremedeira, agora acompanhada de uma choradeira sem fim. Liguei pra minha mãe e chorei. Falei com a minha avó e chorei. E minha amiga Gisele pulava e gritava, toda feliz. E eu nem tanto. Verdade. Não adianta ficar falando que fiquei feliz porque não fiquei. Foi uma mistura de pavor com medo com ansiedade. E foi assim que começou minha vida de mãe.

Vida nova

Olá. Meu nome é Aline, tenho 28 anos, sou jornalista e comerciante, mas minha profissão atual é ser mãe da Manuela, de 3 meses. E padeço no paraíso mesmo. Resolvi fazer esse blog para dividir com outras mães, principalmente as de primeira viagem como eu, todas as aventuras desse exercício maravilhoso, mas também assustador. Vou atualizar novas informações e casos interessantes a cada descoberta, a cada ´´perrengue`` bravo que passar com a minha filhinha. Vamos desabafando e vamos levando, porque na verdade, e sem hipocrisia nenhuma, ser mãe é a coisa mais espetacular do mundo (tenho que parar de escrever agora, porque a Manu já está reclamando um colinho).