terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Belo e louco

Help me please!!!!! Por que nos sentimos tão esgotadas, loucas, que dá até vontade de sumir de vez em quando? Pior é que, quando essa mistura de sentimentos malucos vai embora, a sensação é a de ser a pior mãe do mundo.

Me digam: o que há de errado em ter um tempinho só para si mesma? É errado ou sou muito egoísta? Às vezes, não sei nem o que pensar.

Cuido da Manu praticamente em tempo integral. Não tenho babá, nem mãe ou sogra por perto. Somos eu e meu marido, dividindo tudo. Parece complicado e é. Pra conversar, é uma novela. Manu não deixa. Pra tomar banho ou falar o telefone, é preciso fortes esquemas, com situações controladas previamente.

E os chiliques próprios da idade dela? Acabam com minha sanidade mental. Bom, sem falar na rotina. Café da manhã, arrumar pra escola, buscar, fazer o jantar, brincar, dar banho, fazer dormir. Uma loucura. Dentro disso tudo, sobra algum tempo? Pode ser, mas eu ainda não consegui achá-lo.

Bom, aí eu sento pra assistir pela centésima vez ao DVD da Xuxa. E de repente, vem uma vontade louca e lá estou eu dançando o Txutxucão, feliz da vida, porque minha pequena está tão radiante de ter a mamãe dançando cm ela, descalça na sala de casa, que more de rir.

O drama da falta de tempo? Vai embora em segundos. O olhar dela, apaixonada por mim, deixa tudo leve e divertido. O amor de mãe fala mais alto do que o egoísmo, do que a vontade de desaparecer. E volto a ser mãe. A profissão mais trabalhosa e maravilhosa do mundo.

Mãe e jornalista?

Começo esse novo texto dizendo que o ano de 2010 foi extremamente importante para mim, especialmente como mãe. Cresci absurdamente, tentando lidar com minha filha e sua energia inesgotável, aprendi a conciliar o trabalho como jornalista e a profissão de mãe (ainda estou aprendendo).

Há muito tempo atrás, vi minha carreira perdida, se esvaindo, escapando das minhas mãos, como gelatina mole no verão. Um dia, olhei pra minha filha. Vi no rosto dela uma expressão imponente, que dizia: "Mãe, vá fazer o que você tem que fazer. Serei mais feliz assim, com você encontrando sua paixão".

Lutei, busquei e encontrei. Tive o apoio da minha pequena, mesmo sem a expressão de nenhuma palavra. Achei nos braços do meu marido a força que precisava pra seguir em frente. Entendi que podia.

A dificuldade se instalou no começo. Acabei deixando a Manuela um pouco, e mergulhei demais em um trabalho que me trouxe de volta, mas exigiu que fizesse um esforço injusto. Parei. Vamos repensar tudo né?

Seguindo a diante, encontrei o que buscava. Minha verdadeira paixão pela profissão. Tentei conciliar, ajeitar as coisas. E consegui. Supreendentemente, estou completamente feliz e realizada em minha profissão. Mas sabe aquela culpa, que dá umas pontadas de vez em quando, em toda mãe que trabalha fora? Pois é, ela não desaparece nunca.

Procuro pensar no orgulho que minha filha terá de mim, das coisas que faço. Vejo que logo ela será adolescente, com suas prioridades turbulentas da idade, e eu terei feito algo por mim, o que na verdade, refletirá no crescimento dela.

Espero continuar caminhando. Sei que a culpa nunca vai me deixar. Mas vou viver com ela, compensando os dias de folga com muito carinho, brincadeiras, chamego com a minha Manuela. Afinal, ela me fez voltar a vida.