terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Mãe e jornalista?

Começo esse novo texto dizendo que o ano de 2010 foi extremamente importante para mim, especialmente como mãe. Cresci absurdamente, tentando lidar com minha filha e sua energia inesgotável, aprendi a conciliar o trabalho como jornalista e a profissão de mãe (ainda estou aprendendo).

Há muito tempo atrás, vi minha carreira perdida, se esvaindo, escapando das minhas mãos, como gelatina mole no verão. Um dia, olhei pra minha filha. Vi no rosto dela uma expressão imponente, que dizia: "Mãe, vá fazer o que você tem que fazer. Serei mais feliz assim, com você encontrando sua paixão".

Lutei, busquei e encontrei. Tive o apoio da minha pequena, mesmo sem a expressão de nenhuma palavra. Achei nos braços do meu marido a força que precisava pra seguir em frente. Entendi que podia.

A dificuldade se instalou no começo. Acabei deixando a Manuela um pouco, e mergulhei demais em um trabalho que me trouxe de volta, mas exigiu que fizesse um esforço injusto. Parei. Vamos repensar tudo né?

Seguindo a diante, encontrei o que buscava. Minha verdadeira paixão pela profissão. Tentei conciliar, ajeitar as coisas. E consegui. Supreendentemente, estou completamente feliz e realizada em minha profissão. Mas sabe aquela culpa, que dá umas pontadas de vez em quando, em toda mãe que trabalha fora? Pois é, ela não desaparece nunca.

Procuro pensar no orgulho que minha filha terá de mim, das coisas que faço. Vejo que logo ela será adolescente, com suas prioridades turbulentas da idade, e eu terei feito algo por mim, o que na verdade, refletirá no crescimento dela.

Espero continuar caminhando. Sei que a culpa nunca vai me deixar. Mas vou viver com ela, compensando os dias de folga com muito carinho, brincadeiras, chamego com a minha Manuela. Afinal, ela me fez voltar a vida.

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