quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

Entendendo John Lennon

Dia desses li a entrevista de John Lennon à revista Rolling Stone, a tal "entrevista perdida", concedida três dias antes de o mito ser assassinado em frente ao edifício Dakota. A matéria seria capa, mas óbviamente os editores decidiram não publicá-la na época. Ficou guardada todo esse tempo.

Sempre gostei muito dos Beatles, em especial de Lennon, talvez por influência da minha mãe. Tive um cachorro chamado Lennon, que destruía minha casa e meus sapatos diariamente, mas mesmo assim, eu o amava incondicionalmente. É a "paixão Lennon".

O cara era realmente uma coisa. Seus pensamentos e atitudes sempre soaram como poemas soltos no ar, para quem quisesse captar e aproveitar. Seus ideiais e suas rebeldias me atraem tanto quanto suas belas canções e desenhos.

O fato é que, inacreditavelmente, me surpreendi novamente com John Lennon. Durante a entrevista ao jornalista de rock Jonathan Cott, ele falou muito sobre Sean, seu filho com Yoko Ono. Contou o quanto o período de reclusão (cinco anos) foi importante para que pudessem assimilar a ideia maravilhosa de serem pais (Yoko sofreu vários abortos e um dos bebês nasceu morto). Lennon já era pai de Julian, de seu primeiro casamento, mas se mantinha afastado para, segundo ele, proteger o menino dos holofotes.

Em uma passagem da matéria, o ex-beatle diz o seguinte: "O negócio com a criança ainda é difícil. Não sou o melhor pai do mundo, faço o meu melhor, mas sou muito irritável, fico deprimido, estou alegre e triste, e ele vem tendo que lidar com isso também - tirar e dar, tirar e dar. Não sei o quanto isso o afetará mais tarde, mas estou fisicamente presente. Somos todos egoístas: pensar em Yoko, no Sean ou no gato ou em qualquer pessoa além de mim mesmo - eu e meus altos e baixos e meus míseros problemas - é um fardo. É claro que há alegria e recompensa, mas mesmo assim..."

Tá, então me vi não sendo a única horrorosa que gostaria de ter mais paciência com o filho. Aquele deus da música, tão louco, tão significativo, também sofria com isso. Sofria por não conseguir brincar com Sean ("Eu tento inventar coisas. Posso desenhar, assistir TV com ele, sou ótimo nisso, posso ver qualquer porcaria, desde que não tenha que me movimentar"). Mas assumiu tentar fazer o melhor que podia.

Bem, é assim. Me identifiquei com cada palavra dita por ele. Tento fazer o melhor para minha filha. Tento, rezo, choro, esperneio. Quero mais. Diferentemente de Lennon, eu brinco. Levo a parques, à praia, assisto a DVDs, brinco de cozinhar com as bonecas. O que me tira a paciência é a rotina, o dia a dia. Fazer comida, dar banho, trocar, ensinar, educar.

Tento ensinar coisas a ela, deixá-la educada, mas cada vez mais percebo que eu é quem tenho que ser educada, ensinada, domada.

Aí, penso que talvez seja por isso que ela tenha vindo ao mundo para mim. Para me ensinar que amar requer muito trabalho, bons nervos, e acima de tudo, um coração preparado para todas as aventuras de ser mãe. Como disse John Lennon, domar o egoísmo é a peça chave para uma melhor relação com os filhos. Então, preciso fazer isso, com urgência.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

Belo e louco

Help me please!!!!! Por que nos sentimos tão esgotadas, loucas, que dá até vontade de sumir de vez em quando? Pior é que, quando essa mistura de sentimentos malucos vai embora, a sensação é a de ser a pior mãe do mundo.

Me digam: o que há de errado em ter um tempinho só para si mesma? É errado ou sou muito egoísta? Às vezes, não sei nem o que pensar.

Cuido da Manu praticamente em tempo integral. Não tenho babá, nem mãe ou sogra por perto. Somos eu e meu marido, dividindo tudo. Parece complicado e é. Pra conversar, é uma novela. Manu não deixa. Pra tomar banho ou falar o telefone, é preciso fortes esquemas, com situações controladas previamente.

E os chiliques próprios da idade dela? Acabam com minha sanidade mental. Bom, sem falar na rotina. Café da manhã, arrumar pra escola, buscar, fazer o jantar, brincar, dar banho, fazer dormir. Uma loucura. Dentro disso tudo, sobra algum tempo? Pode ser, mas eu ainda não consegui achá-lo.

Bom, aí eu sento pra assistir pela centésima vez ao DVD da Xuxa. E de repente, vem uma vontade louca e lá estou eu dançando o Txutxucão, feliz da vida, porque minha pequena está tão radiante de ter a mamãe dançando cm ela, descalça na sala de casa, que more de rir.

O drama da falta de tempo? Vai embora em segundos. O olhar dela, apaixonada por mim, deixa tudo leve e divertido. O amor de mãe fala mais alto do que o egoísmo, do que a vontade de desaparecer. E volto a ser mãe. A profissão mais trabalhosa e maravilhosa do mundo.

Mãe e jornalista?

Começo esse novo texto dizendo que o ano de 2010 foi extremamente importante para mim, especialmente como mãe. Cresci absurdamente, tentando lidar com minha filha e sua energia inesgotável, aprendi a conciliar o trabalho como jornalista e a profissão de mãe (ainda estou aprendendo).

Há muito tempo atrás, vi minha carreira perdida, se esvaindo, escapando das minhas mãos, como gelatina mole no verão. Um dia, olhei pra minha filha. Vi no rosto dela uma expressão imponente, que dizia: "Mãe, vá fazer o que você tem que fazer. Serei mais feliz assim, com você encontrando sua paixão".

Lutei, busquei e encontrei. Tive o apoio da minha pequena, mesmo sem a expressão de nenhuma palavra. Achei nos braços do meu marido a força que precisava pra seguir em frente. Entendi que podia.

A dificuldade se instalou no começo. Acabei deixando a Manuela um pouco, e mergulhei demais em um trabalho que me trouxe de volta, mas exigiu que fizesse um esforço injusto. Parei. Vamos repensar tudo né?

Seguindo a diante, encontrei o que buscava. Minha verdadeira paixão pela profissão. Tentei conciliar, ajeitar as coisas. E consegui. Supreendentemente, estou completamente feliz e realizada em minha profissão. Mas sabe aquela culpa, que dá umas pontadas de vez em quando, em toda mãe que trabalha fora? Pois é, ela não desaparece nunca.

Procuro pensar no orgulho que minha filha terá de mim, das coisas que faço. Vejo que logo ela será adolescente, com suas prioridades turbulentas da idade, e eu terei feito algo por mim, o que na verdade, refletirá no crescimento dela.

Espero continuar caminhando. Sei que a culpa nunca vai me deixar. Mas vou viver com ela, compensando os dias de folga com muito carinho, brincadeiras, chamego com a minha Manuela. Afinal, ela me fez voltar a vida.

terça-feira, 8 de junho de 2010

De volta

Gente, voltei a trabalhar. Há um mês atrás, pensava: ser mãe em tempo integral é ótimo, estou dando toda a atenção necessária ao meu bebê. Mas ao mesmo tempo, um sentimento dúbio, me corroia. Tá, tudo bem, tenho tempo e tal, mas e o futuro? O que vou oferecer a minha filha, além de carinho e disponibilidade de tempo? Claro que meu maridão sempre foi um ponto de apoio, me apoiando em qualquer decisão e segurando as pontas em casa (financeiramente). Mas cá entre nós, nunca fui boa dona de casa, nem fui criada para isso.
Enfim, aceitei a empreitada e voltei a minha carreira. Me senti orgulhosa e segura o suficiente para isso. Nos primeiros dias, titubeei, chorei. Mas aquela coisa de ser uma mãe ausente foi saindo de mim. Percebi que é possível organizar o tempo. Entendi que melhor do que quantidade, é a qualidade das horas que passo com a minha Manu. Ví que ter suas mãozinhas entrelaçadas na minha, ouvir suas palavras ainda atropeladas, sua risada gostosa, sua cantoria sem fim, mesmo que seja por duas ou três horas, fazem minha completa felicidade.
Esses momentos me dão força para continuar. Para ser uma profissional melhor, mais organizada, determinada. Para conseguir conciliar todas as tarefas sem perder a mãe de ser mãe, de ser mulher. Tenho muito o que melhorar, o que adaptar, o que me entregar. Tenho sim. Mas hoje, tenho a maior certeza de todas: ser mãe é possível e pleno, mesmo para aquelas que trabalham fora.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

"Senta ti"

Tive que fazer 2 posts no mesmo dia porque ando intrigada com umas manias da Manu. Sei que na idade dela (1 ano e 8 meses) a criança está descobrindo muitas coisas, mas mesmo assim não entendo certas "obssessões" do meu bebê, que diga-se de passagem, não para um segundo sequer.
A mania mais esquisita da Manu é querer sentar em tudo. Não pode ver uma cadeira: "cadela!!!". Quando dou a ela revistas para colorirmos juntas, ela senta em cima da revista, e não deixa mais ninguém pintar! Se pega uma roupa ou toalha na mão, lá vai o bumbum dela abafar o chão.
O penico então, só tem utilidade para servir de cadeira. Ela olha pra ele (é uma tartaruga) e...senta, mas não com o intuito de fazer xixi ou coco. O brinquedo que auxiliava a andar também é vítima do bumbum da Manu. A tartaruga que ganhou do padrinho é outra coitada. Sem falar no carrinho do 1,99, que já teve a suspensão quebrada pela intensa mania de sentar!
O que será que se passa na cabecinha da Manuela? Sinceramente, isso é um grande mistério para mim. Entre tantas "sentadas", vou tentando descobrir qual o objetivo de botar o bumbum onde não é chamada.
Amigas mamães, por favor, me contem as manias dos seus bebês. Postem aqui, vamos tentar descobrir um pouco do maravilhoso mundo dos bebês!
Beijos

Pausa para ser mãe

Gente, recomeçar não é fácil né? Ainda mais quando temos um pequenino para cuidar. Mas o que não podemos nunca é colocá-los como empecilhos para nosso crescimento pessoal.
No ano passado, resolvi mudar minha vida. Depois de passar por uma barra pesada (depressão pós parto existe mesmo, podem acreditar), achei que estava mais do que na hora de voltar a ser jornalista.
Voltei a trabalhar e digo para todo mundo, a experiência é ótima. Você se acha incrível, com poder para fazer tudo e agradar a todos. Chegava em casa e ver minha filhinha era maravilhoso, e não exaustivo como antes.
Infelizmente, descobri que não dá para agradar todo mundo. Por causa do ritmo alucinante do meu trabalho, quase não ficava mais com a Manu. Não cheguei a perder nenhuma gracinha nova, nem uma palavra diferente, mas senti que ela pedia minha atenção o tempo todo.
A decisão de deixar o trabalho e dar um tempinho foi a melhor que pude tomar. Pude observar a Manu ficando mais calma, sem dar ataques de chilique como costumava fazer. Pude ver nossa relação se estreitando a cada brincadeira.
Pelo amor de Deus, não quero ficar sem trabalhar. Já estou a procura de algo que possa conciliar melhor com a vida de mãe.
O que pude tirar dessa experiência é que, não dá para abraçar tudo e querer que as coisas saiam perfeitas. Abrir mão é natural na vida de qualquer mãe. Sem necessariamente esquecer de sí mesma. É necessário buscar um equilíbrio e estar pronta para os desafios, sempre tendo em mente que temos a profissão mais árdua e compensadora: ser mãe 24 horas!
Um beijo a todos!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Ato 2 - Dificuldades

No começo tudo é louco. Sua rotina muda completamente, nada, nada mais é como antes. Você não consegue sequer lavar o cabelo. Eu mesma já fiquei uns 4 dias sem lavar, com aquela cara de comida de boi cuspida. Você começa a pagar micos que nunca imaginou pagar: canta musiquinhas sem sentido o tempo todo, fala com voz de desenho animado, tem que trocar fralda, roupa toda suja de cocô em pleno restaurante japonês. Mas tudo vale muito a pena.
Hoje mesmo me pego com uma tendinite brava, fruto de muitos colinhos pra ninar. Me pego com o sono atrasado, o corpo cansado como se tivesse sido atropelada por um caminhão. As unhas não são mais como antigamente. Têm que ser curtas, e vc só tem o privilégio de mantê-las com esmalte se tiver uma babá ou quem lave as roupas do seu rebento. Os programas de TV preferidos são assistidos pela metade, e os filmes quase nunca fazem sentido, já que se perde um pouquinho do começo, um pedaço do meio e dez minutos do final.
Ás vezes vem uma sensação perturbadora: - acabou a minha paz. Nunca mais vou conseguir dormir como antigamente, nunca mais poderei sair à noite, lavar o cabelo bem demoradamente, assistir um filme inteiro, fazer longas caminhadas na praia, rolar no chão com meus cachorros.
Mas aí você olha para o seu bebê. E ele abre aquele sorriso de matar. Aquele sorriso cheio de esperança, doce como o melhor chocolate do mundo. E faz aquela cara de ´´ eu te amo``. Dá para resistir? Não. E você esquece todos os percalços de ser mãe.